

Para recrutar motorista com anúncio pago, use campanha de cadastro no Facebook e Instagram com formulário instantâneo, raio de 20 a 30 km da base e perguntas-filtro de categoria da CNH e tempo de habilitação. O custo por candidato fica entre R$ 15 e R$ 60, abaixo do custo por currículo da maioria das agências.
Este artigo trata do funil de recrutamento. Ele é uma frente separada da captação comercial, e por um motivo prático: os dois têm custos em ordens de grandeza distintas. Para a parte comercial, consulte o guia de anúncios pagos em logística.
Por que a Meta funciona aqui e não na venda B2B


A mesma característica que torna a Meta ruim para vender operação logística a torna eficiente para recrutar.
A plataforma não tem cargo confiável, não tem porte de empresa e não sabe o setor do empregador. O que ela tem é alcance massivo, segmentação geográfica precisa e um público que já usa o celular como principal canal de acesso à internet.
Motorista, ajudante e operador de empilhadeira estão no Facebook e no Instagram. A decisão de se candidatar acontece no celular, em poucos minutos, sem currículo formatado. É exatamente o que o formulário instantâneo resolve.
Passo a passo pra recrutar motorista com anúncio pago: a configuração da campanha
Objetivo: cadastro com formulário instantâneo
O candidato preenche dentro do Facebook ou Instagram, sem sair para um site. Formulário externo derruba a taxa de conclusão pela metade nesse público — cada etapa a mais custa candidato.
Evite o objetivo de tráfego. Ele entrega clique barato e cadastro nenhum.
Raio de 20 a 30 km da base
Motorista não muda de cidade por vaga operacional. O raio curto concentra a verba em quem pode efetivamente comparecer à entrevista no dia seguinte.
Se você tem várias unidades, crie um conjunto de anúncios por unidade, com criativo mencionando o bairro ou a cidade. O reconhecimento geográfico aumenta a taxa de clique de forma consistente: “vaga em Guarulhos” performa melhor que “vaga em transportadora”.
Faixa etária e segmentação
Segmente por idade a partir de 21 anos para vagas que exigem CNH categoria D ou E, já que há tempo mínimo de habilitação envolvido. Evite interesses genéricos como “caminhão” ou “transporte” — o raio geográfico e o criativo fazem a triagem melhor que qualquer interesse inferido.
Públicos semelhantes construídos sobre a lista de contratados anteriores costumam funcionar bem depois de dois ou três ciclos de campanha.
Perguntas-filtro: onde a campanha se paga
Este é o ponto que separa uma campanha útil de uma enxurrada inútil no RH.
Sem perguntas-filtro, o formulário instantâneo entrega volume alto e aproveitamento baixo. Com elas, o volume cai e a triagem fica viável.
Motorista carreteiro
- Categoria da CNH (C, D ou E)
- Tempo de habilitação na categoria
- Possui EAR (Exerce Atividade Remunerada)
- Experiência com o tipo de carga da operação
- Disponibilidade para viagem e pernoite
Motorista de entrega urbana
- Categoria da CNH
- Experiência com entrega urbana
- Conhecimento da região
- Disponibilidade de horário
Ajudante e conferente
- Experiência anterior em CD ou armazém
- Disponibilidade de turno
- Residência na região
Operador de empilhadeira
- Certificação de operador
- Validade da certificação
- Tipo de empilhadeira operada
Cada pergunta derruba o volume e sobe a qualidade. Sem elas, o RH recebe 300 cadastros e aproveita 12. Com quatro perguntas bem escolhidas, recebe 60 e aproveita 25.
O criativo que funciona
Anúncio institucional de vaga não performa. O que performa parece um cartaz na portaria:
- foto real da frota, do CD ou da equipe, sem banco de imagens;
- faixa salarial no texto, quando a política da empresa permite;
- benefícios concretos: vale-alimentação, plano de saúde, cesta básica, seguro de vida;
- cidade ou bairro no primeiro segundo;
- tipo de contratação (CLT, agregado) explícito.
Vídeo curto gravado no celular, mostrando o pátio e um funcionário falando da rotina, costuma superar peça produzida. O público reconhece o ambiente e responde a isso.
Evite jargão corporativo. “Buscamos profissional alinhado aos nossos valores” não gera cadastro; “Motorista carreteiro CLT em Betim, salário + diárias” gera.
Do lead à contratação: o fluxo de triagem
A campanha entrega cadastros. O que transforma cadastro em contratação é o processo depois dele.
Prazo de contato. Ligue em até 24 horas. Esse público responde a quem chama primeiro, e a taxa de resposta cai de forma acentuada depois do segundo dia.
Canal de contato. WhatsApp funciona melhor que ligação para o primeiro contato. Muitos candidatos estão dirigindo durante o horário comercial.
Integração dos leads. Configure o download automático dos cadastros para uma planilha ou CRM. Baixar CSV manualmente do Gerenciador de Anúncios cria atraso e perda.
Triagem em duas etapas. Primeira, conferência das respostas do formulário contra os requisitos da vaga. Segunda, ligação de cinco minutos para confirmar disponibilidade e documentação.
Registro do motivo de descarte. É esse dado que permite ajustar as perguntas-filtro no ciclo seguinte. Se metade dos descartes é por falta de EAR, a pergunta sobre EAR precisa virar eliminatória.
O cálculo que interessa: custo por contratação
A comparação relevante não é o CPL, e sim o custo por contratação efetivada, medido contra o que você paga hoje para agência de RH ou banco de currículos.
Custo por contratação = investimento total da campanha ÷ número de contratados
Exemplo de um ciclo real de campanha:
- Investimento: R$ 1.500 no mês
- Cadastros recebidos: 62
- Aprovados na triagem: 24
- Compareceram à entrevista: 15
- Contratados: 5
Custo por cadastro: R$ 24 Custo por contratação: R$ 300
Compare esse número com o custo da agência, incluindo taxa de reposição, e com o custo indireto de manter a vaga aberta — hora extra da equipe, veículo parado, entrega atrasada. Operações que fazem essa conta costumam descobrir que a mídia sai mais barata e entrega mais rápido.
Orçamento e o imposto que altera o cálculo
O mínimo oficial da plataforma é de R$ 3 por dia em campanhas de tráfego e de R$ 6 a R$ 10 por dia em campanhas de conversão. Esses valores mantêm o anúncio no ar, mas não tiram a campanha da fase de aprendizado. O mínimo viável fica entre R$ 30 e R$ 50 por dia por conjunto de anúncios.
Um ponto que muda a planilha: desde janeiro de 2026, a Meta repassa cerca de 12,15% de impostos ao anunciante no Brasil. O valor debitado é maior que o orçamento configurado, e o custo por contratação precisa usar o valor cheio.
Sazonalidade: quando o custo sobe
O custo por cadastro em campanhas de recrutamento varia ao longo do ano por dois motivos.
O primeiro é a disputa por inventário. Novembro e dezembro concentram investimento publicitário de varejo, o que encarece o CPM para todos os anunciantes.
O segundo é a própria demanda do setor. O pico de contratação em logística coincide com o pico de operação — fim de ano, datas comerciais —, e várias operações da mesma região disputam o mesmo público ao mesmo tempo.
Se a operação tem previsibilidade de escala, antecipe o recrutamento em 45 a 60 dias. Contratar em outubro para operar em novembro custa menos do que contratar em novembro.
A separação de verba que evita distorção
Recrutamento e captação comercial são objetivos diferentes, com CPL em ordens de grandeza distintas — R$ 20 de um lado, R$ 200 do outro.
Misturados no mesmo relatório, a média fica bonita e inútil: o CPL geral cai, a diretoria comemora, e ninguém percebe que a captação comercial parou de gerar cotação.
Use contas ou, no mínimo, campanhas separadas, com relatórios que nunca se somam. No plano de mídia, recrutamento é linha própria, com meta própria de custo por contratação. Para a divisão da verba comercial entre Google, LinkedIn e remarketing, veja a estrutura de campanha do Google Ads e o guia geral de anúncios pagos em logística.



